É a hora dos leigos: CVX participa do Encontro do Anual do Colegiado do CNLB

É a hora dos leigos: Comunidades de Vida Crist0ão (CVX) participa do Encontro Anual do Colegiado do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB)


Brasília, Centro Cultural de Brasília, 6 a 8 de março de 2026.

“Cristãos leigos: no coração do mundo chamados a sermos Igreja profética e servidora”.

É com alegria que anunciamos as alvissareiras notícias dirigidas aos cristãos leigos e leigas na Igreja do Brasil. Iniciamos o ano de 2026 festejando os 10 anos do Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), aprovado na 54ᵅ Assembleia Geral em Aparecida-SP, em 2016: “Cristãos Leigos e leigas na Igreja e na Sociedade: sal da terra e luz do mundo” (MT 5,13-14). Um marco histórico-eclesial da Igreja em um tempo que fiéis leigos e leigas são presença profética das diversas expressões e rostos do laicato.  

Folheando o Documento 105 compreendemos que a beleza e o sentido da Igreja vêm expressos na realidade em um só Senhor, em uma só fé, em um só Batismo.

Foi com alegria e muita festa que celebramos no ano anterior, 2025, o cinquentenário do CNLB em Aparecida-SP, contando com cristãos leigos e leigas de norte a sul do Brasil, com seus diversos ministérios carismas e serviços, vivenciando a sinodalidade e corresponsabilidade com o bem comum que exercem nas comunidades. 

Este primeiro encontro de 2026 do Colegiado da Presidência e do Conselho Fiscal do CNLB, estabelecido no 8º Encontro Nacional do Laicato em Aparecida (2025) para o triênio 2025-2028, contou com a presença da presidência, conselho fiscal e dos organismos afiliados ao CNLB. 

Estar no Colegiado do CNLB suscita uma função de dinamização. Portanto, divulgamos e comemoramos a primeira edição do Anuário do Conselho do Laicato do Brasil, que nos foi apresentada pelo presidente do CNLB, Márcio José de Oliveira (2025-2028).  Conforme, Márcio, o anuário terá os objetivos de ser um instrumento pastoral e missionário para cristãos leigos e leigas como também contribuirá para refletir o vigor do laicato, considerado força motriz na Igreja. 

Somos chamados a anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, como cristãos leigos e leigas, sujeitos eclesiais, discípulos e discípulas missionários, em suas diferentes expressões e carismas (CNLB, Anuário 2026). 

O Anuário relembra os 51 anos do nascimento do laicato no Brasil, dando visibilidade à sua presença e reconhecendo a vivência do batismo e a importância de comunidades em prol do bem comum (CNLB, 2025). 

Olhar para o povo de Deus é relembrar que todos fomos batizados leigos, todos formamos o povo santo fiel de Deus. Ninguém foi batizado sacerdote nem bispo. Portanto, “é a hora dos leigos”. Vamos cuidar para que o relógio não pare (O indispensável compromisso dos leigos na vida pública dos países Latino-Americanos (Doc da Igreja – 31 Ed CNBB, 2016). 

Neste tempo marcado por uma mudança de época, o Papa Francisco incentivou a vocação de cristãos leigos e leigas na caminhada da Igreja na América Latina e no Brasil.  (DOC 105; pág 15). 

O laicato teve uma participação ativa na Igreja, especialmente durante a Ação Católica, com o objetivo de despertar nos cristãos leigos católicos a consciência crítica, à luz evangélica preferencial pelos pobres (CVX – Leigos vivendo o carisma inaciano). 

A partir de 1964, com a ditadura, o laicato perdeu o espaço de comunhão e participação na organização na Igreja, o que nos interpela pela ausência de líderes católicos nos âmbitos políticos, acadêmicos e de comunicação na América Latina (CVX – Leigos vivendo o carisma inaciano). 

O sumiço e esvaziamento de cristãos leigos e leigas na Igreja, despertaram a atuação das lideranças católicas a pensarem em diretrizes que propiciasse a retomada dos leigos na missão da Igreja. 

Diante dos desafios e das grandes mudanças na realidade mundial, promoveram-se movimentos, assembleias, encontros. Para a difusão e a atuação dos princípios católicos na vida pessoal, familiar e social, pensou-se num espaço de participação dos leigos católicos no apostolado hierárquico da Igreja (É possível um sujeito eclesial? Sal e Luz. Volume 1. Ed CNBB).

A situação política do país não favorecia a estrutura do Conselho, nem tampouco os participantes tinham convicção da necessidade da Organização.

O Conselho Nacional de Leigos (CNL) passou a se estabelecer e ganhar força, e ao longo dos anos, surgiram movimentos, associações e formas de apostolado laical que fizeram a Igreja avançar para águas mais profundas.   

A organização dos leigos católicos no Brasil tomou força com a Ação Católica até a criação do Conselho Nacional de Leigos (CNL) em 1975.

Em 1976, com o incentivo da CNBB, as lideranças católicas leigas conceberam o CNL retomando a sua caminhada (leigos vivendo o carisma inaciano. Ed. Loyola, 1992). 

A CVX desde 1986 tem participado como organismo laical do processo de organização e articulação dos leigos na Igreja do Brasil através do CNL (Leigos vivendo o carisma inaciano, Ed Loyola, 1992), participando ativamente dos Conselhos Nacional, Regionais e Diocesanos.

No Brasil a CVX  como organização afiliada ao CNLB, integra o colegiado deliberativo do CNLB participando ativamente de reuniões e assembleias   enfocando a espiritualidade inaciana em seus pareceres. 

O CNLB é formado por 19 regionais, que conta com Conselhos de Leigos nos regionais e dioceses. Embora nem todos ofereçam à Igreja discernimentos e orientações sobre o laicato na perspectiva da teologia e da organização dos ministérios na comunidade. 

A questão é complexa. Seremos cada vez mais desafiados como uma sociedade laica, cuja reflexão se faz urgente e tende a resvalar para o laicisismo, termo carregado de conotações hostis à religião e contrárias a fé em Deus (Subsídios Doutrinais 10 CNBB).  

No Distrito Federal, desde 2022, um grupo de leigos vem se articulando para a criação do regional CNLB CO (Centro-Oeste). A ação colegiada entre as Comissões Episcopais de Pastoral da CNBB tem se esforçado em contribuir com reflexões e encaminhamentos sobre a Igreja e a sociedade (coleção Sal e Luz vol. 3).

Escutar a Palavra de Deus é o ponto de partida e critério de todo discernimento eclesial. 

A CVX, por meio da Coordenação Executiva Regional no Distrito Federal (CER-DF), desde o início da caminhada do CNLB na região encampou esta missão e tem incentivado os seus membros a seguirem nessa jornada. Assim, no dia 26/08/2023 a equipe de articulação reuniu-se com a presidência nacional do CNLB buscando dar passos mais significativos ao processo de criação. 

O discernimento eclesial não é uma técnica organizativa, mas uma prática espiritual a ser vivida na fé. (Por uma Igreja Sinodal – comunhão, participação e missão – Documento Final, Sínodo 2021/2024).

Texto escrito por: Socorrinha Laurentino (CVX Dom Luciano, CVX Regional DF).

Compartilhe: