CVX Brasil participa da 41ª Assembleia do COMINA

CVX Brasil participa da 41ª Assembleia do COMINA

Por Rafael Finatti (CVX Santo Estanislau Kostka – Regional Sul)

Entre os dias 06 e 08 de março de 2026, estive em Brasília representando o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) na 41ª Assembleia Geral do COMINA (Conselho Missionário Nacional). Escrevo este relato para partilhar com a comunidade nacional os desdobramentos do meu envio para a Comissão de Formação Nacional do CNLB, missão para a qual fui nomeado no início deste ano justamente pela minha caminhada e identidade na CVX.

Mas o que é o COMINA? 

Sinto que muitas vezes, na CVX, focamos intensamente na vida da nossa comunidade local e conhecemos pouco as instâncias de articulação da Igreja. O COMINA é o organismo da CNBB responsável por animar a consciência missionária no Brasil – e eu simplesmente não sabia de sua existência! É ele quem articula as Pontifícias Obras Missionárias (POM), os conselhos regionais e os diversos organismos eclesiais para uma missão “ad gente”, isto é, fora dos “muros da Igreja”, com opção preferencial pelos mais pobres. 

Participar desta Assembleia, portanto, foi um exercício de “sentir com a Igreja” em sua estrutura mais ampla. É neste espaço que se decide, por exemplo, o Programa Missionário Nacional e as grandes diretrizes para o trabalho junto às periferias geográficas e existenciais do nosso país.

Um leigo entre pastores

Um ponto que me marcou profundamente foi a composição do plenário da Assembleia. Estávamos em um ambiente formado majoritariamente por bispos referenciais da missão (um de cada um dos 19 regionais da CNBB), além de padres e religiosas que coordenam os conselhos missionários (poucos leigos e leigas nestas posições) e representantes de organismos como a REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica), o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e o CRB Nacional (Conferência de Religiosos do Brasil). 

Estar ali, a partir da Comissão de Formação do CNLB, reforçou a urgência de consolidarmos o nosso envio comunitário. Se queremos uma Igreja verdadeiramente sinodal, o laicato precisa estar preparado para dialogar e discernir ao lado da hierarquia. Minha presença ali só faz sentido se for expressão de um corpo — a CVX, ou mesmo o laicato (afinal neste caso estive como representante do CNLB) — que acompanha, avalia e sustenta.

A programação da Assembleia foi marcada pelos espaços de compartilhamento das ações dos Conselhos Missionários Regionais e por debates a respeito da conjuntura eclesial e de seus impactos na missão evangelizadora da Igreja no Brasil. Teve ainda um olhar sobre as origens do COMINA, sobre os desafios que o organismo enfrenta para se manter ativo em todo o país e reflexões sobre o Programa Missionário Nacional (PMN). Minha participação foi mais como ouvinte, dialogando sobre os temas propostos. Levei alguns informes do CNLB para 2026, como a nossa ideia de um curso de especialização acadêmica sobre o Documento 105 da CNBB; e aproveitei o espaço da “Fila do Povo” para vocalizar inquietações sobre a necessidade de uma sinodalidade real, que pressupõe representatividade nas decisões e um compromisso ético inegociável sobre posicionarmos nossa Igreja com um olhar preferencial pelos pobres (e contra quem não carrega esta pauta, especialmente num ano tão decisivo como este em nosso país).

Oportunidades para a CVX

Saí da Assembleia pensando que deveríamos nos aproximar dos Conselhos Missionários Regionais ou Diocesanos, através de nossas regionais da CVX. Podemos oferecer nossa espiritualidade para ajudar na formação de lideranças missionárias; e contar com novos espaços de missão, tendo os Conselhos como pontes para facilitar o envio de membros da CVX para experiências missionárias no Brasil e no exterior.

Além disso, saí contagiado pelo entusiasmo de todos ali com o CAM7 (Congresso Americano Missionário), que será sediado em Curitiba em 2029. Certamente é um evento que não estava no meu radar, mas temos três anos até lá para amadurecer nossa presença e entender como a CVX Brasil pode dar sua contribuição específica a este evento continental.

Enfim, pude testemunhar uma Igreja que deve se propor a escutar e agir a partir da diversidade — algo que a CVX já procura exercitar, de alguma forma, em seus discernimentos comunitários. Sigo neste serviço no CNLB como um membro da CVX em missão, contando com as orações de todos para que possamos, cada vez mais, “Em tudo amar e servir” nas estruturas da nossa Igreja.

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