As promessas de Deus para nós: inspirações vindas no Encontro do Conselho Nacional

Contemplar as estrelas

“Levanta-te e desça até a casa do oleiro; aí eu comunicarei a minha palavra a você” (Jer 18, 1-6).

Impelidos por esse trecho do profeta Jeremias, o Conselho Nacional da CVX no Brasil deu início aos trabalhos na noite de sexta-feira do dia 27 de fevereiro de 2026, na cidade de São Paulo-SP.

Palavras como escuta, imperfeições, movimento, confiança, entrega, barro, cacos, ouro, gratidão, diversidade de sotaques, pedrinhas, arte, reconhecimento, infância apareceram na partilha, motivaram o encontro e prepararam o coração de cada um dos membros CVX.

Às palavras se juntam nomes: Gracinha, Marília, Edson, Gilda, Ana, Marlene, Bibinho, Darkles, Marli, Vinícius, Miguel, Dani. Nomes que trouxeram em si tantos outros nomes. Uma comunidade nacional inteira numa sala no Alto da Lapa em São Paulo…

A pauta era extensa para um final de semana: muita responsabilidade corresponde a um bocado de trabalho. Informes, edição especial da Revista Itaici, Jubileu de 50 anos da CVX, Encontro Nacional, Assembleia. Para cada tarefa, definições eram necessárias. Sem pressa, sem ruído, os contornos foram sendo desvelados. A Trindade, que dança quando lhe abrimos espaço, preencheu a sala e, a cada movimento, soprava aos ouvidos dos atentos, balançava os cabelos das sensíveis, acariciava a face de todas e todos. Num balé sem coreografia prévia, vimo-nos embalados por Gonzaguinha, olhando as estrelas e indagando carinhosamente ao Senhor: o que quer de nós?

Ao reconhecer o chão que pisamos e o caminho que trilhamos nesses 50 anos de CVX no Brasil, sentimos transbordar do coração um sentimento de gratidão a Deus: “Obrigada por tanto, Senhor. Nós também te amamos.”

Mas nossa história comunitária não se encerra nesses primeiros 50 anos. Há fronteiras a alcançar, vidas a acolher, o reino construir. Olhamos para trás e vemos o tanto que caminhamos. Regionais se formaram, comunidades se constituíram, tantas vidas integradas na vida em comunidade. Mas o chamado é perene. O desejo de relação é perene. Vemos o nosso presente e nos questionamos: “O que queremos para os próximos 50 anos?”

A resposta vem ao som suave da brisa que acompanha a nuvem de luz que pairou sobre nós. Pelo espaço que abrimos pela confiança do diálogo e da construção coletiva, a Trindade se fez ora menino que brinca, ora menina que dança.

Nesses momentos, o tempo para e Deus passa… E para aquela pergunta que inquietava nosso corpo, num dois-pra-lá-dois-pra-cá, Deus sussurra: saiam da tenda e olhem as estrelas.
A promessa é clara e vem sem limites. Vocês são capazes de contar as estrelas do céu? Essa é promessa hoje. Feita a Abraão, mas renovada agora.

A divina alegria invade a sala. Começamos a identificar a letra da música que acompanha esse momento. Puxado por uma voz que logo em seguida é acompanhada em coro, os corações se unem num inteiro “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Nós podemos tudo. Nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será”.

A consolação estava perceptível em cada pelo arrepiado em tantas e diferentes peles. Mas Deus nunca dá pouco. O tempo passou e nos deleitamos nele, mas o relógio é implacável. Estava passando da hora da missa. Ajeitamos as moções e as acomodamos em roupas amarrotadas do dia e fomos para a capela.

Feito o círculo em torno do altar e entre respirações profundas iniciamos a eucaristia. Deus não espera para nos surpreender e num jogo rápido de palavras, a primeira leitura vem sonora “Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai e vai para a terra que eu te vou mostrar”. Olhos se interpelaram curiosos, surpresos… A promessa a Abraão (e agora para nós) se confirma em nossos corações não em forma de arco-íris no céu, mas pelo colorido dos vitrais da capela.

De frente para o Cristo Crucificado-Ressuscitado da capela, de grandes mãos e braços e rosto acolhedores, experimentamos que Ele descortinou o céu e se fez perceber. Sua comunicação foi uma brincadeira marota, uma dança suave. Não quis discrição desta vez. Foi claro, palpável, presente.

Rogamos então que sua nuvem luminosa siga acompanhando os próximos passos da CVX no Brasil. Com os pés no chão e o olhar para as estrelas, seguiremos confiantes.

Texto: Daniela Pinho (CER-DF)

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